<#labrador#>


<#Coisas minhas ou dos outros que me venham à cabeça por uma razão qualquer ou mesmo sem qualquer razão sequer.#>

Ø Trechos


"Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo."
(Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marques)

"Jogaram-nos numa grande sala branca e meus olhos começaram a piscar porque a luz os magoava. Vi, logo depois, uma mesa e quatro sujeitos atrás dela _ uns civis _, examinando papéis. Tinham deixado os outros prisioneiros no fundo e precisávamos atravessar a sala toda para chegar até eles. Havia muitos que eu conhecia e outros que deviam ser estrangeiros. Os dois que estavam à minha frente eram loiros e de crânios redondos e se pareciam; imaginei que fossem franceses. O menor, de nervoso, sungava as calças a todo momento."
(O Muro – Jean-Paul Sartre – 1939)

“Em qualquer lugar onde encontro uma criatura viva, encontro desejo de poder.” Friedrich Nietzsche

“Tudo aconteceu em menos de um minuto.
Pontualmente às nove horas da manhã de 11 de abril de 1928, o guarda Gunnar Blemke atravessou o salão de audiências revestido de mogno da prisão de Moabit, no centro de Berlin, levando pelo braço, algemado, o professor comunista Otto Braun, de 28 anos. Não que Otto fosse considerado um preso perigoso; as algemas se justificavam por ser um acusado de “alta traição à pátria”, encarcerado havia um ano e meio, aguardando julgamento. O guarda caminhou com ele em direção à mesa onde se encontrava o secretário superior de Justiça, Ernst Schmidt, que deveria interrogar Otto Braun. A seu lado, o escrivão Rudolph Nekien lutava para não cochilar sobre a máquina de escrever. Na outra ponta do salão, bem em frente à mesa de Schmidt, um pequeno auditório destinado ao público e aos advogados e isolado por um balaústre de madeira, estava ocupado por meia dúzia de adolescentes, moças e rapazes. “Pensei que fossem estudantes de Direito”, diria o guarda mais tarde. Blemke estufou o peito diante da autoridade e anunciou:
_ Apresentando o preso Otto Braun.
Nesse instante ele sentiu algo duro encostado em sua nuca. Virou a cabeça e viu uma pistola negra apontada contra seu rosto por uma linda moça de cabelos escuros e olhos azuis, que exigiu com voz firme:
_ Solte o preso!
No auditório, os jovens dividiram-se em dois grupos e se atiraram sobre o secretário Schimidt e o escrivão Nekien, que foi derrubado com violência. Schmidt deu um salto, conseguiu bater a ponta do sapato sobre o botão de alarme instalado no chão _ e recebeu uma coronhada no rosto, dada por um garoto enorme, de barba ruiva e cabelo escorrido até quase os ombros. A jovem de olhos azuis que comandava o grupo mantinha a pistola apontada para a cabeça do guarda. Depois de desarmá-lo, caminhou de costas em direção à porta, cobrindo o preso com seu corpo e gritando para seus companheiros:
_ Para a rua! Para a rua! Quem se mexer leva chumbo!”
(Olga – Fernando Morais)

"Dirijo com muita consciência. Não me permito sentir emoções no 'cock-pit' porque as emoções só fazem cometer erros estúpidos." Michael Schumacher, para a revista Die Zeit (23/02/2005)

"When you're not concerned with succeeding, you can work with complete freedom." Larry David

“O direito é o conjunto de condições sob as quais o arbítrio de um pode conciliar-se com o arbítrio do outro segundo uma lei universal da liberdade”
Kant

Ø e-mail

-------.--@---.---.--


Sexta-feira, Janeiro 25, 2008


::Caetano = Gal = Roberto Carlos::

Como Dois e Dois
Caetano Veloso

Quando você
Me ouvir cantar
Venha não creia eu não corro perigo
Digo não digo não ligo, deixo no ar
Eu sigo apenas porque eu gosto de cantar
Tudo vai mal, tudo
Tudo é igual quando eu canto e sou mudo
Mas eu não minto não minto
Estou longe e perto
Sinto alegrias tristezas e brinco
Meu amor
Tudo em volta está deserto tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco
Quando você me ouvir chorar
Tente não cante não conte comigo
Falo não calo não falo deixo sangrar
Algumas lágrimas bastam pra consolar
Tudo vai mal, tudo
Tudo mudou não me iludo e contudo
A mesma porta sem trinco, o mesmo teto
E a mesma lua a furar nosso zinco
Meu amor
Tudo em volta está deserto tudo certo
Tudo certo como dois e dois são cinco (bis)
Cinco!
Labrador - 11:09 PM

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Live And Let Die
Paul McCartney


When you were young and your heart was an open book
You used to say live and let live
(You know you did, you know you did, you know you did)
But if this ever-changing world in which we live in
Makes you give in and cry

Say live and let die
(Live and let die)
Live and let die
(Live and let die)

What does it matter to you?
When you got a job to do
You got to do it well
You got to give the other fellow hell

You used to say live and let live
(You know you did, you know you did, you know you did)
But if this ever-changing world in which we live in
Makes you give in and cry

Say live and let die
(Live and let die)
Live and let die
(Live and let die)

Labrador - 10:46 PM


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Quinta-feira, Agosto 02, 2007


Amy Winehouse



Rehab

They tried to make me go to rehab but i said 'no, no, no'
Yes, I've been black but when i come back you'll know know know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but i won't go go go

I'd rather be at home with Ray
I ain't got seventy days
'Cause there's nothing,
There's nothing you can teach me
That i can't learn from Mr Hathaway

Didn't get a lot in class
But i know it don't come in a shot glass

They tried to make me go to rehab but i said 'no, no, no'
Yes I've been black but when i com e back you'll know know know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but i won't go go go

The man said 'why do you think you're here'
I said 'I got no idea
I'm gonna, I'm gonna lose my baby
so I always keep a bottle near'
He said 'I just think your depressed,
kiss me here, baby, and go rest'

They tried to make me go to rehab but i said 'no, no, no'
Yes I've been black but when i com e back you'll know know know

I don't ever wanna drink again
I just ooh I just need a friend
I'm not gonna spend ten weeks
have everyone think I'm on the mend

It's not just my pride
It's just til these tears have dried

They tried to make me go to rehab but i said 'no, no, no'
Yes I've been black but when i come back you'll know know know
I ain't got the time and if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab but i won't go go go


Labrador - 9:23 PM


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Segunda-feira, Maio 29, 2006



Labrador - 6:51 PM


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Quarta-feira, Agosto 10, 2005


Tina Modotti


Julio Antonio Mella's typewriter - 1928
Tina Modotti


Labrador - 9:24 PM


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Quarta-feira, Julho 27, 2005


Basquiat



Labrador - 5:34 PM


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Sexta-feira, Julho 15, 2005


Elvis Costelo



There's A Story In Your Voice
Elvis Costello

Once upon another time
If you had the need
I'd step right in the shoes that you've been walking
'Cos someone put the hurt in you
For every one to see
And you only have to speak to tell your fortune

There's a story in your voice
Both by damage and by choice
It tells of promises and pleasure
And a tale of wine and woe
The uneasy time to come
And the long way 'round we go to get there

Once you told me fairytales
Everybody knows
But I didn't care for their prediction
Now you say you're leaving me
And packing up your clothes
I finally see you were a work of fiction

There's a story in your walk
Then you crumble just like chalk
And I could say that I was sorry
But I wouldn't mean it much
There are pages I can't touch
And something that's been torn out of this chapter

Far away, not far enough
'Cos I can still recall
How it felt when I read that last sentence
Now I go inside some rooms with Gideon in them all
And hide myself from all hope of repentance

There's a story in your eyes
Cheap sunglasses might disguise
But when the bedroom light reveals
All that bravado and that fright
That you cover up in spite
Attempts to strip away this fabrication

There's a story in your voice
Both by damage and by choice
It tells of promises and pleasure
And a tale of wine and woe
The uneasy time to come
And the long way 'round we go to get there

Labrador - 10:16 PM


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Terça-feira, Junho 21, 2005



"Obviously my first goal was related to my life quality which I wanted to improve because the very first day I stepped on prosthetic legs it was terrible, there was so much pain," Zanardi said. "To me, this is a new life, and every day that I do something new, it's a little win. I am the only crowd. There is no crowd like when I won Long Beach ... but still, it's an achievement for me. Every time I achieve a result I realize that I am fighting, that I am improving, and so it's a reason for me to smile."
Alex Zanardi

Labrador - 5:01 PM


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Sábado, Junho 18, 2005



Levou cinco longos anos para atingir esse objetivo. No primeiro ano seu carro quebrou em sete de 16 corridas. Os jornais pediam: "Schumi, saia desse abacaxi vermelho!"

No segundo ano, ele perdeu o título ao colidir com Jacques Villeneuve e parar no cascalho, com 22 voltas para terminar. No terceiro ano ele bateu na traseira de Coulthard em Spa. No quarto seus freios falharam em Silverstone e ele quebrou uma perna quando uma parede de concreto apareceu em seu caminho. Estava a 107 quilômetros por hora.

"Esses reveses serviram para nos fortificar", diz Todt. "Eles nos ensinaram a perder sem culpar os outros."

Labrador - 11:54 PM


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Terça-feira, Maio 24, 2005


Paraíso na Terra = Noronha


Labrador - 9:24 AM


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Terça-feira, Maio 17, 2005




"Assim como uma pedra jogada na água torna-se centro e causa de muitos círculos, e o som se difunde no ar em círculos crescentes, assim também qualquer objeto que for colocado na atmosfera luminosa propaga-se em círculos e preenche os espaços em sua volta com infinitas imagens de si, reaparecendo em todas e em cada uma das suas múltiplas partes."

Leonardo da Vinci

dos Cadernos de Leonardo da Vinci (1452-1519)
- Biblioteca do Institut de France


Labrador - 12:43 AM


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Quinta-feira, Maio 12, 2005


"Em uma partida, a bola bate no alto da rede; durante um quarto de segundo, pode cair para um ou outro lado. Com um pouco de sorte bate naquele que é melhor para você e você vence o jogo. Mas também pode cair do seu lado, e então você perde"

Protagonista do filme "Match Point" de Woody Allen

Labrador - 11:03 PM


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Terça-feira, Março 29, 2005




Coldplay - Don't Panic

Bones sinking like stones
All that we fought for
Homes places we've grown
All of us are done for

We live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world,
Bones sinking like stones
All that we fought for
And homes, places we've grown
All of us are done for

We live in a beautiful world,
Yeah we do, yeah we do,
We live in a beautiful world.

Oh, all that I know,
There's nothing here to run from,
Cos yeah, everybody here´s got somebody to lean on


Labrador - 11:48 PM


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Segunda-feira, Março 28, 2005




Labrador - 12:08 PM

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Labrador - 3:21 AM


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Sábado, Março 26, 2005




Labrador - 1:15 AM


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Sexta-feira, Março 25, 2005



"I don't care too much about music. What I like is sounds."
Dizzy Gillespie


Labrador - 3:34 PM


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Terça-feira, Março 22, 2005




Nem vem que não tem
Ronaldinho e Simonal
comercial da Nike


Labrador - 3:07 PM


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Quinta-feira, Março 17, 2005


Speak no Evil (1964)
Wayne Shorter



Wayne Shorter - Speak no Evil
Clique acima para ouvir

Labrador - 12:15 AM


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Domingo, Março 13, 2005




Oasis
Champagne Supernova
Labrador - 3:12 AM


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Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005



100 anos de relatividade


Labrador - 6:31 PM


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Domingo, Fevereiro 20, 2005




"Emancipate yourselves from mental slavery;
None but ourselves can free our mind.
Wo! Have no fear for atomic energy,
'Cause none of them-a can-a stop-a the time."


Labrador - 9:47 PM


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Terça-feira, Fevereiro 15, 2005



Robert Doisneau
Fox-terrier sur le Pont des Arts
Paris, 1953

Labrador - 9:34 PM


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Domingo, Fevereiro 13, 2005




É Hoje
Samba enredo da União da Ilha - 1982

A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar

Levei o meu samba pra mãe-de-santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Levei o meu samba pra mãe-de-santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá

Eu levei !
Acredito!
Acredito ser o mais valente
Nessa luta do rochedo com o mar
(E com o mar!) É hoje o dia da alegria
E a tristeza, nem pode pensar em chegar

(Diga espelho meu!)
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu

Labrador - 10:04 PM


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Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005



Robert Doisneau
Le Baiser du trottoir
1950

Labrador - 10:58 PM


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Sábado, Janeiro 29, 2005




"Pues cuando ardió la pérdida
Reverdecieron sus maizales"


Labrador - 8:51 PM


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Sexta-feira, Janeiro 14, 2005


"There is a Japanese visual art in which the artist is forced to be spontaneous. He must paint on a thin stretched parchment with a special brush and black water paint in such a way that an unnatural or interrupted stroke will destroy the line or break through the parchment. Erasures or changes are impossible. These artists must practice a particular discipline, that of allowing the idea to express itself in communication with their hands in such a direct way that deliberation cannot interfere.

The resulting pictures lack the complex composition and textures of ordinary painting, but it is said that those who see will find something that escapes explanation.

This conviction that direct deed is the most meaningful reflection, I believe, has prompted the evolution of the extremely severe and unique disciplines of jazz or improvising musician."

Labrador - 2:54 PM


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Sábado, Janeiro 08, 2005




Labrador - 12:39 AM


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Segunda-feira, Janeiro 03, 2005



Labrador - 3:48 PM


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Segunda-feira, Dezembro 20, 2004


A Coisa Simples

Certos espíritos dificilmente admitem que uma coisa simples possa ser bela, e menos ainda que uma coisa bela é, necessariamente, simples, em nada comprometendo a sua simplicidade as operações complexas que foram necessárias para realizá-la. Ignoram que a coisa bela é simples por depuração, e não originariamente; que foi preciso eliminar todo elemento de brilho e sedução formal (coisa espetacular), como todo resíduo sentimental (coisa comovedora), para que somente o essencial permanecesse. E diante da evidente presença do essencial, não o percebendo, até mesmo fugindo a ele, o preconceituoso procura o acessório, que não interessa e foi removido. Mais pura é a obra, e mais perplexa a indagação: "Mas é somente isto? Não há mais nada?" Havia; mas o gato comeu (e ninguém viu o gato).

Carlos Drummond de Andrade. Confissões de Minas.


Onement VI, 1953
Barnett Newman


Labrador - 7:13 PM


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Quarta-feira, Dezembro 15, 2004


Times Like These



Times Like These
(Jack Johnson)

In times like these
in times like those
what will be will be
and so it goes
and it always goes on and on
and on and on and on
on and on and on
and on and on it goes

hum hum hummmm
hum hum huuummmm
hum hum hummmm

And theres always been laughing, crying, birth, and dying
boys and girls with hearts that take and give and break
and heal and grow and recreate and raise and nurture
but then hurt from time to times like these
and times like those
what will be will be
and so it goes

And there will always be stop and go and fast and slow
action, reaction, sticks and stones and broken bones
those for peace and those for war
and god bless these ones not those ones
but these ones made times like these
and times like those
what will be will be
and so it goes
and it always goes on and on
and on and on and on
on and on and on
and on and on it goes

hum hum hummmm
hum hum huuummmm
hum hum hummmm

But somehow I know it wont be the same
somehow I know it'll never be the same

Labrador - 11:12 AM


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Segunda-feira, Dezembro 13, 2004


Bob Dylan - Jokerman



Jokerman
Bob Dylan

Standing on the waters casting your bread
While the eyes of the idol with the iron head are glowing.
Distant ships sailing into the mist,
You were born with a snake in both of your fists while a hurricane was blowing.
Freedom just around the corner for you
But with the truth so far off, what good will it do?

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

So swiftly the sun sets in the sky,
You rise up and say goodbye to no one.
Fools rush in where angels fear to tread,
Both of their futures, so full of dread, you don't show one.
Shedding off one more layer of skin,
Keeping one step ahead of the persecutor within.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

You're a man of the mountains, you can walk on the clouds,
Manipulator of crowds, you're a dream twister.
You're going to Sodom and Gomorrah
But what do you care? Ain't nobody there would want to marry your sister.
Friend to the martyr, a friend to the woman of shame,
You look into the fiery furnace, see the rich man without any name.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

Well, the Book of Leviticus and Deuteronomy,
The law of the jungle and the sea are your only teachers.
In the smoke of the twilight on a milk-white steed,
Michelangelo indeed could've carved out your features.
Resting in the fields, far from the turbulent space,
Half asleep near the stars with a small dog licking your face.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh. oh. oh. Jokerman.

Well, the rifleman's stalking the sick and the lame,
Preacherman seeks the same, who'll get there first is uncertain.
Nightsticks and water cannons, tear gas, padlocks,
Molotov cocktails and rocks behind every curtain,
False-hearted judges dying in the webs that they spin,
Only a matter of time 'til night comes steppin' in.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.

It's a shadowy world, skies are slippery gray,
A woman just gave birth to a prince today and dressed him in scarlet.
He'll put the priest in his pocket, put the blade to the heat,
Take the motherless children off the street
And place them at the feet of a harlot.
Oh, Jokerman, you know what he wants,
Oh, Jokerman, you don't show any response.

Jokerman dance to the nightingale tune,
Bird fly high by the light of the moon,
Oh, oh, oh, Jokerman.



Labrador - 1:24 PM


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Quarta-feira, Dezembro 08, 2004


Carl Perkins - Honey Don't
(Música regravada pelos Beatles
em Beatles for Sale - 1964)




Honey Don't

Well how can you say you will when you won't,
Say you do, baby, when you don't?
Let me know, honey, how you feel
Tell the truth how is love real.

But oh well honey don't, well honey don't,
Honey don't, honey don't, honey don't
I say you will when you won't, oh honey, don't.

Well I love you, baby, and you ought to know
I like the way you wear your clothes,
If it's in a batch you were so doggone sweet,
You got that sand all over your feet.



Well sometimes I love you on a Saturday night,
Sunday morning you don't look right.
You've been out painting the town,
Uh baby, been stepping around.

Labrador - 11:50 AM


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Quinta-feira, Novembro 11, 2004


Bob Marley



Three Little Birds
(Bob Marley)

"Don't worry about a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right.
Singin': "Don't worry about a thing,
'Cause every little thing gonna be all right!"

Rise up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Sit by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true,
Sayin', ("This is my message to you-ou-ou:")

Singin': "Don't worry 'bout a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right."
Singin': "Don't worry (don't worry) 'bout a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right!"

Rise up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Sit by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true,
Sayin', "This is my message to you-ou-ou:"

Singin': "Don't worry about a thing, worry about a thing, oh!
Every little thing is gonna be all right. Don't worry!"
Singin': "Don't worry about a thing" - I won't worry!
"'Cause every little is thing gonna be all right."

Singin': "Don't worry about a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right" - I won'tworry!
Singin': "Don't worry about a thing,
'Cause every little thing is gonna be all right."
Singin': "Don't worry about a thing, oh no!
'Cause every little thing is gonna be all right!

Labrador - 10:52 PM


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Terça-feira, Novembro 09, 2004


Little Quail & The Mad Birds



O sol eu não sei
(Little Quail & The Mad Birds)

Océuéazulasplantassãoverdesosoleunãoseiporquequandoeuolheioolhodoeu!!!
O olho doeu!!
O olho doeu, right now!!
O olho doeu!!

Océuéazulasplantassãoverdesosoleunãoseiporquequandoeuolheioolhodoeu!!!
O olho doeu!!
O olho doeu, right now!!
O olho doeu!!

Labrador - 11:07 PM


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Sábado, Novembro 06, 2004


4'33''

"Silent piece"

John Neff
Performing 4'33" by John Cage


Labrador - 11:05 PM


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Quarta-feira, Novembro 03, 2004


Mark Rothko


White and Red on Yellow
1958


Labrador - 1:24 PM


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Segunda-feira, Novembro 01, 2004


O Corredor (simbólico e antagônico)



Um corredor longo em sua natureza retilínea, urbana e rígida. Passaporte para distintos cubículos não cúbicos (cercados por quatro paredes retangulares). O frio receptáculo dos calores humanos. Debaixo de um de seus tantos tetos, as curvas febris que permeiam os limites de uma mata fresca: selvagem e doce; cheia de vida e sem trilhas. Uma paisagem dissonante, campo perfeito para o bandeirante utópico dos livros. Esquecendo o mercantilismo da vida real e mergulhando no sonho em matéria, de acordar imprevisto e incerto. Como imagem simbólica final, a fusão das convicções líquidas e antagônicas que circundam os cacos de vidro de seus recipientes quebrados ao chão.

Labrador - 4:38 PM


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Domingo, Outubro 31, 2004


Gil e Bresson


Henri Cartier-Bresson



Índigo blue
(Gilberto Gil)

Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão
Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão

Sob o blusão, sob a blusa
Nas encostas lisas do monte do peito
Dedos alegres e afoitos
Se apressam em busca do pico do peito
De onde os efeitos gozosos
Das ondas de prazer se propagarão
Por toda essa terra amiga
Desde a serra da barriga
Às grutas do coração

Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão
Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão

Labrador - 1:25 PM


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Quarta-feira, Outubro 27, 2004


Le Petit Prince et le Renard
(Antoine de Saint-Exupéry)

C'est alors qu'apparut le renard.
- Bonjour, dit le renard.
- Bonjour, répondit poliment le petit prince, qui se retourna mais ne vit rien.
- Je suis là, dit la voix, sous le pommier.
- Qui es-tu ? dit le petit prince. Tu es bien joli...
- Je suis un renard, dit le renard.
- Viens jouer avec moi, lui proposa le petit prince. Je suis tellement triste...
- Je ne puis pas jouer avec toi, dit le renard. Je ne suis pas apprivoisé.
- Ah ! pardon, fit le petit prince.
Mais, après réflexion, il ajouta :
- Qu'est-ce que signifie "apprivoiser" ?
- Tu n'es pas d'ici, dit le renard, que cherches-tu ?
- Je cherche les hommes, dit le petit prince. Qu'est-ce que signifie "apprivoiser" ?
- Les hommes, dit le renard, ils ont des fusils et ils chassent. C'est bien gênant ! Ils élèvent aussi des poules. C'est leur seul intérêt. Tu cherches des poules ?
- Non, dit le petit prince. Je cherche des amis. Qu'est-ce que signifie "apprivoiser" ?
- C'est une chose trop oubliée, dit le renard. Ca signifie "créer des liens..."
- Créer des liens ?
- Bien sûr, dit le renard. Tu n'es encore pour moi qu'un petit garçon tout semblable à cent mille petits garçons. Et je n'ai pas besoin de toi. Et tu n'as pas besoin de moi non plus. Je ne suis pour toi qu'un renard semblable à cent mille renards. Mais, si tu n'apprivoises, nous aurons besoin l'un de l'autre. Tu seras pour moi unique au monde. Je serai pour toi unique au monde...
- Je commence à comprendre, dit le petit prince. Il y a une fleur... je crois qu'elle m'a apprivoisé...
- C'est possible, dit le renard. On voit sur la Terre toutes sortes de choses...
- Oh ! ce n'est pas sur la Terre, dit le petit prince.
Le renard parut très intrigué :
- Sur une autre planète ?
- Oui.
- Il y a des chasseurs, sur cette planète-là ?
- Non.
- Ca c'est intéressant ! Et des poules ?
- Non.
- Rien n'est parfait, soupira le renard.
Mais le renard revint à son idée :
- Ma vie est monotone. Je chasse les poules, les hommes me chassent. Toutes les poules se ressemblent, et tous les hommes se ressemblent. Je m'ennuie donc un peu . Mais, si tu m'apprivoises, ma vie sera comme ensoleillée. Je connaîtrai un bruit de pas qui sera différent de tous les autres. Les autres pas me font rentrer sous terre. Le tien m'appellera hors du terrier, comme une musique. Et puis regarde ! Tu vois, là-bas, les champs de blé ? Je ne mange pas de pain. Le blé pour moi est inutile. Les champs de blé ne me rappellent rien. Et ça, c'est triste ! Mais tu as des cheveux couleur d'or. Alors ce sera merveilleux quand tu m'auras apprivoisé ! Le blé, qui est doré, me fera souvenir de toi. Et j'aimerai le bruit du vent dans le blé...
Le renard se tut et regarda longtemps le petit prince :
- S'il te plaît... apprivoise-moi ! dit-il.
- Je veux bien, répondit le petit prince, mais je n'ai pas beaucoup de temps. J'ai des amis à découvrir et beaucoup de choses à connaître.
- On ne connaît que les choses que l'on apprivoise, dit le renard. Les hommes n'ont plus le temps de rien connaître. Ils achètent des choses toutes faites chez les marchands. Mais comme il n'existe point de marchands d'amis, les hommes n'ont plus d'amis. Si tu veux un ami, apprivoise-moi !
- Que faut-il faire ? dit le petit prince.
- Il faut être très patient, répondit le renard. Tu t'assoiras d'abord un peu loin de moi, comme ça, dans l'herbe. Je te regarderai du coin de l'oeil et tu ne diras rien. Le langage est source de malentendus. Mais, chaque jour, tu pourras t'asseoir un peu plus près...
Le lendemain revint le petit prince.
- Il eût mieux valu revenir à la même heure, dit le renard. Si tu viens, par exemple, à quatre heures de l'après-midi, dès trois heures je commencerai d'être heureux. Plus l'heure avancera, plus je me sentirai heureux. A quatre heures, déjà, je m'agiterai et m'inquièterai ; je découvrirai le prix du bonheur ! Mais si tu viens n'importe quand, je ne saurai jamais à quelle heure m'habiller le coeur... Il faut des rites.
- Qu'est-ce qu'un rite ?
- C'est aussi quelque chose de trop oublié, dit le renard. C'est ce qui fait qu'un jour est différent des autres jours, une heure, des autres heures. Il y a un rite, par exemple, chez mes chasseurs. Ils dansent le jeudi avec les filles du village. Alors le jeudi est jour merveilleux ! Je vais me promener jusqu'à la vigne. Si les chasseurs dansaient n'importe quand, les jours se ressembleraient tous, et je n'aurai point de vacances.
Ainsi le petit prince apprivoisa le renard. Et quand l'heure du départ fut proche :
- Ah ! dit le renard... Je pleurerai.
- C'est ta faute, dit le petit prince, je ne te souhaitais point de mal, mais tu as voulu que je t'apprivoise...
- Bien sûr, dit le renard.
- Alors tu n'y gagnes rien !
- J'y gagne, dit le renard, à cause de la couleur du blé.
Puis il ajouta :
- Va revoir les roses. Tu comprendras que la tienne est unique au monde. tu reviendras me dire adieu, et je te ferai cadeau d'un secret.
Et les roses étaient gênées.
- Vous êtes belles, mais vous êtes vides, leur dit-il encore. On ne peut pas mourir pour vous. Bien sûr, ma rose à moi, un passant ordinaire croirait qu'elle vous ressemble. Mais à elle seule elle est plus importante que vous toutes, puisque c'est elle que j'ai arrosée. Puisque c'est elle que j'ai mise sous globe. Puisque c'est elle que j'ai abritée par le paravent. Puisque c'est elle dont j'ai tué les chenilles (sauf les deux ou trois pour les papillons). Puisque c'est elle que j'ai écoutée se plaindre, ou se vanter, ou même quelquefois se taire. Puisque c'est ma rose.
Et il revint vers le renard :
- Adieu, dit-il...
- Adieu, dit le renard. voici mon secret. Il est très simple : on ne voit bien qu'avec le coeur. L'essentiel est invisible pour les yeux.
- L'essentiel est invisible pour les yeux, répéta le petit prince, afin de se souvenir.
- C'est le temps que tu as perdu pour ta rose qui fait ta rose si importante.
- C'est le temps que j'ai perdu pour ma rose... fit le petit prince, afin de se souvenir.
- Les hommes ont oublié cette vérité, dit le renard. Mais tu ne dois pas l'oublier. Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé. Tu es responsable de ta rose...
- Je suis responsable de ma rose... répéta le petit prince, afin de se souvenir.

Labrador - 4:41 PM


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Segunda-feira, Outubro 25, 2004


Fumaça



É como a fumaça que sobe da ponta do cigarro. A natureza da fumaça por si já descreve bem o negócio todo. Uma matéria estranha, gasosa ou sólida no extremo mínimo possível. O gasoso é isso, né? um sólido minúsculo... A nossa vida é uma fumaça, um sólido não palpável; que percorre caminhos circulares e elípticos no ar, numa lógica caótica e atraente. Quem nunca parou pra ver a fumaça do cigarro ir subindo... bem devagar... formando fractais... fazendo curvas... se dividindo em vários caminhos tortuosos... se reagrupando de novo lá em cima... e, por fim, se dissolvendo no céu...


"Let us burn one
from end to end
and pass it over
to me my friend
burn it long, we'll burn it slow
to light me up before I go

if you don't like my fire
then don't come around
cause I'm gonna burn one down
yes I'm gonna burn one down"

(Ben Harper - Burn one down -
Live From Mars)

Labrador - 1:58 AM

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Os Mutantes



Senhor F

O Senhor "F"
Vive a querer
Ser Senhor "X"
Mas tem medo de nunca voltar
A ser o Senhor "F" outra vez

O Senhor "X"
É o herói
Que na TV
Nunca perde o seu chapéu
E faz o Senhor "F" sonhar

Sonhar em ter
Pros outros ver
Olhos azuis
Ter um carro igual ao de "X"
E conquistar a mulher do patrão

Dê um chute no patrão
Dê um chute no patrão
Dê um chute no patrão

Você também
Quer ser alguém
- abandonar
Mas tem medo de esquecer
O lenço e o documento outra vez

Dê um chute no patrão
Dê um chute no patrão
Dê um chute no patrão

Labrador - 1:32 AM


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Terça-feira, Outubro 19, 2004


Trechos de O Muro, de Jean-Paul Sartre

(...)

Tom começou a falar:
_Você liquidou uns sujeitos, não? - perguntou-me.
Não respondi. Ele então começou a explicar-me que havia liquidado seis desde o início do mês de agosto; não se dava conta da situação e eu percebia que ele não queria dar-se conta. Eu mesmo não avaliava tudo perfeitamente, perguntava-me se íamos sofrer muito, pensava nas balas, imaginava sua passagem ardente através do meu corpo. Tudo aquilo estava fora da verdadeira questão, mas me sentia tranqüilo. Tínhamos a noite toda para pensar. Depois de um instante, Tom parou de falar e eu o olhei com o rabo do olho; percebi que ele também se tornara cor de cinza e tinha um ar miserável. Disse comigo: "Vai começar." Era quase noite, um luar leitoso filtrava-se através dos respiradouros e o monte de carvão era uma grande mancha sob o céu; pelo buraco do forro eu via já uma estrela; a noite seria pura e gelada.

(...)

Tom _ Não é nada claro - continuou ele com ar obstinado. - Sou capaz de ter coragem, mas seria preciso ao menos que eu soubesse... Escute, vão nos levar para o pátio. Os sujeitos vão se postar diante de nós. Quantos serão?
Pablo _ Eu não sei. Cinco ou oito. Mais do que isso, não.
_ Muito bem. Serão oito. Ouve-se um grito: "Apontar", e eu verei oito fuzis apontados para mim. Penso que desejarei penetrar no muro; empurrarei o muro com as costas com toda a minha força e o muro resistirá, como nos pesadelos. Posso imaginar tudo isso. Ah! Se você soubesse como posso imaginar!
_ Eu também o imagino.
_ Deve ser horrível. Você sabe que eles fazem pontaria nos olhos e na boca, para desfigurar o sujeito? - perguntou. - Eu já estou sentindo os ferimentos; há uma hora que estou com dores na cabeça e no pescoço. Não são dores verdadeiras, o que é pior; são as dores que eu vou sentir amanhã. E depois?

Eu compreendia muito bem o que ele queria dizer, mas não desejava mostrar que compreendia. Quanto às dores, eu também as sentia em meu corpo, como uma porção de cutiladas. Eu não queria concordar, mas estava com ele.

(...)

_ É como nos pesadelos - continuava Tom. - Quer-se pensar em alguma coisa e tem-se o tempo todo a impressão que afinal a gente vai compreender, mas não, a coisa desliza, escapa, cai. Digo para mim mesmo: depois, não haverá mais nada. Não compreendo, porém, o que isso quer dizer. Há momentos em que quase chego a decifrar... e depois isso me escapa, recomeço a pensar nas dores, nas balas, nas detonações. Sou materialista, juro-lhe; e não estou ficando louco. Há alguma coisa porém que está destoando. Vejo meu cadáver; isso não é difícil, mas sou eu que o vejo, com meus olhos. Seria preciso que eu chegasse a pensar... a pensar que não verei mais nada, que não ouvirei mais nada e que o mundo continuará para os outros. Não somos feitos para pensar nisso, Pablo. Sabe, já me aconteceu de ficar uma noite inteira acordado, esperando alguma coisa. Mas essa coisa que esperava não é parecida com isso; isso nos pegará à traição, Pablo, e não teremos tempo de nos preparar.
_ Cale-se! Quer que eu chame um confessor?

(...)

Sentia-me cansado e superexcitado ao mesmo tempo. Não queria mais pensar no que ia acontecer de manhã cedinho, na morte. Aquilo não tinha sentido, não encontrava senão palavras, um vazio. Desde, porém, que começava a pensar em outra coisa, via canos de fuzis apontados para mim. Vivi talvez umas vinte vezes seguidas a minha execução; numa delas cheguei mesmo a pensar que o fuzilamento tinha ocorrido; devia ter dormido um minuto. Eles me carregavam para o muro enquanto me debatia; pedia-lhes perdão. Acordei em sobressalto e olhei o belga; tinha medo de ter gritado durante o sono. Ele, porém, alisava o bigode e não notara nada. Creio que me esforçando teria dormido um pouco; havia quarenta e oito horas que estava em claro e me sentia esgotado. Mas não tinha vontade de perder duas horas de vida; viriam acordar-me mal amanhecesse, segui-los-ia tonto de sono e estrebucharia sem um ai; não queria morrer como um animal, queria compreender. Além disso, tinha medo de ter pesadelos. Levantei-me, andei de um lado para o outro, e, para afastar aquelas idéias, comecei a pensar no passado. Uma onda de lembranças surgiu em confusão. Havia-as boas e más - ou pelo menos eu as considerava assim antes. Via rostos e fatos. Revi a fisionomia de um novillero que levara uma chifrada em Valência durante a Feria, o rosto de um de meus tios, e o de Ramón Gris. Lembrei-me de alguns episódios: como passei quando estive desempregado durante três meses em 1926, como escapei de morrer de fome. Recordei-me de uma noite passada sobre um banco, em Granada; havia três dias que não me alimentava, sentia-me enraivecido e não queria morrer. Aquilo me fez sorrir. Com que ansiedade eu corria atrás da felicidade, atrás de mulheres, atrás da liberdade... A troco de quê? Tinha querido libertar a Espanha, admirava Py e Margall, aderira ao movimento anarquista, discursava em comícios: levava tudo a sério, como se fosse imortal.

(...)

Tinha toda a vida diante de mim, fechada como um saco, e entretanto tudo quanto estava lá dentro continuava inacabado. Tentei num momento, julgá-la. Quisera dizer - foi uma bela vida. Mas não se podia fazer um julgamento, pois ela era apenas um esboço; havia passado o tempo todo fazendo castelos para a eternidade, não compreendera nada. Não tinha saudades de nada; havia uma porção de coisas que poderia sentir saudades, do gosto da manzanilla, dos banhos que tomava no verão numa seadinha perto de Cádis; a morte, porém, roubava o encanto de tudo.

(...)

Labrador - 6:34 PM


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Sábado, Outubro 16, 2004


O Alpinista (em reformas)



Labrador - 1:36 AM


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Quarta-feira, Outubro 13, 2004


Tédio



Eu estou entediado. Entediado da crítica, disso que estou fazendo agora. Entediado da superficialidade dos que se dizem "profundos", da profundidade dramática dos que são fúteis e superficiais. Das máscaras e encenações. Dos que como eu transitam entre qualificações. Dos que, ao não se verem nos outros, se riem por dentro ou por trás. Dos tolos que não se vêem nos outros; outros esses, tão iguais. Somos todos iguais! Isso entedia!

Estou entediado dos que "tudo" sabem, sem dó nem piedade, e dos que nada querem saber, talvez por excesso de vaidade. Dessa nossa bendita raça humana, que quando empresta seu sentido em qualidade, se demonstra tão mundana e bundona ao equiparar humanidade à bondade. Entedia demais os contra-sensos da vida. Tanto é chato remediar quanto futucar a ferida. Mas o que chateia mesmo é a falsidade e a hipocrisia. Porém não menos do que os que "tudo" dizem na cara e se vangloriam da "rebeldia". É... tudo no mundo entedia.

Entediado dos rótulos e dos que se dizem acima dos rótulos. Dos que se entediam e apontam o dedo e dos que se olham no espelho e morrem de medo. Dos que não sentem tédio e acham graça de tudo. Estar sempre feliz deve ser o maior tédio do mundo. Estou entediado dos textos que rimam! Que tédio! Pára com isso! É... o tédio é um tédio. Escrever sobre ele então, realmente... nem se fala! E ler? Se conseguiu chegar até aqui, vai em frente... me chama de mala! Olha aí.. voltei a rimar... Não adianta, esse texto é um tédio e reflete bem o meu dia. No entanto, agora o que mais me entedia, é o que deveria fazer agora e não faço, a droga da monografia!

Labrador - 3:48 PM


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Sábado, Outubro 09, 2004


Silver Surfer



E o Surfista Prateado contempla, da beirada de um asteróide, seu mais novo planeta a ser conquistado.
Labrador - 4:46 PM


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Sexta-feira, Outubro 08, 2004


Café! Café! Café!





Labrador - 4:03 PM


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Terça-feira, Outubro 05, 2004


Sessões de segunda, música de primeira!

É segunda à noite. Como de praxe o Jazz rola no quarto ao lado e inunda a casa inteira de som. Piano e Sax. Enéas e Ximo. As sessões de segunda sempre me agradaram. A música é boa, é alta, é de graça, não tem o papo chato da mesa à direita e nem a risada estridente da mulher da mesa de trás, que por sinal consegue falar mais palavras por minuto do que todos juntos no local; resumindo, é um show particular sem sair de casa. Está certo que vez por outra, por não me encontrar no clima, me chateei um pouco com essa obrigatoriedade, nunca gostei muito de compromissos sérios e impositivos. Mas essas vezes foram raras. E posso dizer que estão extintas de vez.

A música de segunda-feira tem me acalmado, coincidentemente em momentos bastante propícios. Mas, ao mesmo tempo em que me acalma, ela agora vem também acompanhada de um sentimento estranho: um saudosismo de uma época boa que não veio, que para mim estava certa de chegar, bastava apenas um pouco de paciência e uma certa dose de coerência com o discurso (quem sabe?), mas não veio, ou melhor, ficou apenas num início interrompido. Estava próxima a relargada, poucos dias comparados com uma vida, mas ficou só no projeto, no esboço do arquiteto, no rascunho do texto. A distância era grande demais. Tanto física como de sintonia. Mas o que se há de fazer contra os percalços da vida? Evaporou-se no ar, como que num despertar do sono; era sonho.

Mas de volta à realidade, fico com minhas sessões de segunda; com o Jazz de primeira!! E com a certeza de que projetos não faltam na mesa. Até mesmo os abortados, se não foram jogados ao lixo, podem sair da gaveta. O texto está aí, pronto pra ser reescrito, como as notas de improviso que acabam de cessar no quarto ao lado... vou colocar um CD do Coltrane.

Labrador - 1:01 AM


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Segunda-feira, Outubro 04, 2004


En la ciudad



A película foi mostrada em sua língua original (espanhola) e sem legendas. Mas os casos nela apresentados eram de uma linguagem universal: Relacionamentos desgastados, pelo tempo ou pelas idiossincrasias da vida. Ironia melancólica, espelho da nossa sociedade atual.

Labrador - 11:27 PM


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Sábado, Outubro 02, 2004


Soneto de Camões

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Labrador - 4:36 PM


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